Sábado, Janeiro 28, 2006




O Artista

Um dia, despertou-lhe na alma o desejo de esculpir uma estátua do Prazer que dura um instante. E partiu pelo mundo à procura do bronze, porque ele só podia trabalhar o bronze. Mas todo o bronze existente no mundo havia desaparecido e em nenhuma parte o metal seria encontrado, a não ser na estátua da Dor que é permanente.

E fora ele que, com as próprias mãos, fundira essa estátua, erigindo-a no túmulo de alguém a quem muito amara na vida. E na tumba da morta, que tanto amara, colocou a própria criação, como um símbolo do amor masculino, que é imortal, e a dor humana, que dura a vida inteira.

E em todo o mundo não havia bronze, a não ser o dessa estátua.

Ele, então, retirou a estátua que moldara, pondo-a num grande forno, deixando-a derreter-se.

E com o bronze da estátua da Dor que é permanente, fundiu a do Prazer que dura um instante.
(Oscar Wilde)

Sexta-feira, Janeiro 27, 2006


Resumo Da Ópera: então, e eu fiquei alguns dias sem escrever - por vários e vários motivos. Um deles foi pra ir em busca das ferramentas pra tentar realizar algumas das minhas promessas de ano novo. Outro motivo foi mesmo dar uma maneirada na internet, já que eu andava vivendo mais no mundo virtual do que no real.

Pior é que agora, pensando, chego à conclusão de que até tinha uma certa razão pra ficar mais tempo comigo mesmo, sozinho, fuçando na internet. E é simples: as pessoas estão cada vez mais desinteressantes. Pior que isso - maldosas, fúteis, encrenqueiras. Existem exceções, é lógico, mas são raras. E eu fico me perguntando por que isso, se tem motivo, se existe razão, ou se é pura e simples falta do que fazer. Mas deixa essas picuinhas pra lá, que não vale a pena gastar tempo, paciência e pixels com isso. Quer dizer, até dá vontade de soltar o verbo, mas não compensa.

Quinta-feira, Janeiro 12, 2006


Então, e sei que a cada dia que invento de fuçar nos noticiários relativos à mídia o que eu mais descubro é que tem repórter saindo daqui pra ir pra li, tem repórter recebendo salários nababescos (como diria o Feltrin) pra deixar a antiga emissora, tem repórter recebendo salário ultra-nababescos pra voltar pra antiga emissora, tem repórter recebendo propostas pra ganhar o dobro e trabalhar a metade.

Aí eu pergunto: e eu, pô?

Sabe quando dá aquela impressão de que tudo acontece com todo mundo, menos com você? Pois é. Porque o que eu acho engraçado nessa história é que nos últimos tempos começou o festival da dança das cadeiras, mas parece que - mesmo com toda as mexidas - nunca tem cadeira sobrando. Sim, eu ando meio de saco cheio de ficar estagnado. Sim, eu ando meio (aliás, totalmente) de saco cheio de trabalhar feito um camelo, ser cobrado como um profissional de ponta e receber como um estagiário da pior qualidade. Sim, eu ando com o saco na lua de tanto ter que segurar e dar conta dos canhões que surgem no dia-a-dia e ser sempre outro que sai como o estrategista genial.

Não que eu não goste do que eu faço: pelo contrário, adoro. Mas trabalhar doze horas diárias só por amor à profissão também não dá. Também tenho consciência do meu valor como profissional - melhor que muitos por aí (mas também pior do que vários; não sou perfeito). Preguiça de trabalhar, não tenho. Mas o problema é aquela velha história que santo de casa não faz milagre. Estou chegando à conclusão de que não faz mesmo, e meu valor só vai ser reconhecido quando eu der no pé. O problema é justamente esse: preciso ter alguma coisa na mão pra poder pular fora. E isso tá cada vez mais difícil.

Mas a continuar do jeito que está, não duvido nada que me dê um surto daqueles grandes.
E quem me conhece, sabe: quando é pra chutar o pau da barraca, eu chuto mesmo.
E sem pensar duas vezes, nem me arrepender, nem questionar.

Viver é correr riscos, porra!

Terça-feira, Janeiro 10, 2006


Whenever I'm alone with you
You make me feel like I am home again
Whenever I'm alone with you
You make me feel like I am whole again

Whenever I'm alone with you
You make me feel like I am young again
Whenever I'm alone with you
You make me feel like I am fun again

However far away
I will always love you
However long I stay
I will always love you
Whatever words I say
I will always love you
I will always love you

Whenever I'm alone with you
You make me feel like I am free again
Whenever I'm alone with you
You make me feel like I am clean again

However far away
I will always love you
However long I stay
I will always love you
Whatever words I say
I will always love you
I will always love you

"Love Song" - The Cure

Quinta-feira, Janeiro 05, 2006


E eis que hoje eu fiquei sabendo, assim meio por cima - e com uns certos dias de atraso - que o namorado de uma ex minha também virou ex (entendeu a lógica toda aí?). Bom, pois é, até onde eu fiquei sabendo ela simplesmente deu um pé nele. Quer dizer, "simplesmente", não; ele só ficou sabendo disso quando viu a madame com outro.

Não vou negar: na hora me deu uma certa alegriazinha interna - e não venham me culpar porque eu sou humano, oras, não dá pra ser sempre certinho e muito menos bom samaritano. Sabe quando você pensa "eu, eu, eu, o fulano se deu mal"? Então. Mas fuça daqui, xereta no Orkut, alguns comentários de amigos em comum... E acabei ficando foi com dó do falecido.

Primeiro que quando ela largou de mim não havia sido por causa dele - e eu não tinha motivos nenhum pra odiar o cara, a não ser aquele orgulho besta que homem tem de ficar achando que todo mundo que vem depois na vida da outra não presta. Segundo que, mais uma vez, a moçoila provou não ter nenhum caráter - repetindo a dose. Comigo havia sido mais ou menos a mesma coisa... Tudo aparentava estar bem, às mil maravilhas, quando de repente lá veio a bomba.

Eu só queria entender o que é que se passa pela cabeça de uma pessoa nessas horas - e mais ainda, o que é que continua se passando pela cabeça de uma pessoa quase cinco anos depois, para ferir os outros como se não houvesse nada em jogo: sentimento, confiança, respeito - e até amor, ainda que unilateral (como foi o meu caso e, até onde consegui perceber, também parecia ser desta vez). Egoísmo, talvez? Aquela sensação de onipotência e que se dane o resto do universo? Ou pura e simplesmente imaturidade?

Alguns dizem que pode ser medo. Mas de quê? De se envolver, de se abrir, de assumir responsabilidades? Medo de encarar o fato de que estamos crescendo e é preciso encarar a vida com outros olhos, de outra maneira? Ou é por ser volúvel? Ou a pessoa se acha tão, mas tão insignificante que crê que pode entrar na vida da outra, passar como um furacão, provocar mudanças, histerias, sentimentos e depois ir embora como se não houvesse causado nenhum tipo de consequência?????

Pior não foi a princípio ter gostado do cara se ferrar e depois me arrepender.
Pior foi ver que, pra algumas pessoas, as coisas não mudam mesmo.
Nunca.

Domingo, Janeiro 01, 2006




1 De Janeiro. Mais um ano que começa, mais um ano que termina. Trezentos e sessenta e cinco dias, e apesar de na prática nada ser diferente por si só, a ilusão de uma nova etapa nos dá ânimo, nos dá esperança... Uma oportunidade de fazer tudo diferente. E é assim mesmo que a gente encara.

Nessas horas, é inevitável aquele balanço do ano que passou. Não posso negar: foi um ano de questionamentos, de dúvidas, de tristezas, de inseguranças. Mas também tive alegrias, momentos de felicidade, luz, paz. Ainda assim, não cheguei a nenhuma conclusão - a impressão que eu tenho é que 2005 foi um ano realmente que ficou na balança, equilibrado, nem para o bem e nem para o mal. Sofri mais do que imaginava, de maneiras que jamais tinha imaginado. Tive algumas boas surpresas, que também não esperava. Perdi alguns amigos, de maneira besta. Me decepcionei com alguns, que eu achava que eram confiáveis - mas não eram. Ganhei outros amigos - alguns, realmente especiais e que foram os responsáveis por segurar a onda em várias oportunidades. Sorri, nem sempre querendo. Chorei, às vezes sem motivo, às vezes por motivos que só meu inconsciente sabia. Trabalhei muito. Tive meu trabalho reconhecido. Tive meu tapete puxado. Aos trancos e barrancos, fui me equilibrando como dava - até chegar ao dia de ontem: 31 de dezembro de 2005.

Como nos últimos anos, passei o ano novo longe da minha família - desde que me formei, tem sido essa a rotina: natal em casa, reveillón longe. Também como nos últimos anos, trabalhei até o último minuto. Desta vez, os planos eram nenhum, companhias, nenhuma. Alguns diriam "triste", eu acho que foi bom. Este ano foi um ano meio complicado, precisava meditar, pensar, refletir o que eu quero mesmo da vida daqui pra frente. Ir atrás das mudanças - cansei de esperar por elas.

E acho que é isso... 2006 vai ser um ano pra desestagnar. Mudar, fazer as coisas acontecerem. Mexer. Até o meio do ano ainda estava naquela ilusão de que um dia alguém iria olhar pra mim e reconhecer meu talento como pessoa, como homem, como profissional. Bobagem. Tenho que ser mais Luiz, mesmo, como sempre fui - e fazer algumas coisas serem notadas no berro.

Quanto às perdas, cada vez mais confirmo que a vida é cíclica. Algumas coisas a gente precisa perder pra poder ganhar. Talvez lá na frente até seja possível recuperá-las - ou você se dê conta de que não eram mesmo tão necessárias.

Enfim, 2006, ano de fazer 29, faltando só um pros 30...
Época de crescimento, de me firmar como homem.
É mesmo hora de abandonar algumas coisas.
E Feliz Ano Novo! - pra todo mundo.

Segunda-feira, Dezembro 19, 2005


Definitivamente, as coisas não são mais as mesmas. Se a frase recorrente sobre o Brasil era que "este não é um país sério", agora ficou ainda pior. Este não é um mundo sério. Como assim? Simples. Hoje, fuçando na internet, tá lá a notícia - com direito a chamada na home do Uol.

Crianças gostam de torturar Barbies, diz pesquisa
da BBC, em Londres

A boneca Barbie é normalmente objeto de tortura das crianças, segundo uma pesquisa feita por uma equipe da Universidade de Bath, na Inglaterra, e divulgada na edição desta segunda-feira do jornal britânico The Times.

Os métodos de mutilação são variados e criativos, incluindo arrancar cabelos, decapitação e queimaduras. Algumas bonecas são inclusive colocadas no microondas e têm suas pernas e braços removidos.

A pesquisa foi realizada como parte de uma análise da influência das marcas na vida de crianças de 7 a 11 anos.


O texto (ainda tô reticente em chamar aquilo de reportagem) segue dizendo que as pesquisadoras não tiveram a intenção de focar na Barbie, mas a coisa surpreendeu, e a Barbie agora é descartável, as crianças tem caixas e caixas, quando deveriam amar e idolatrar a Barbie...

Gente, pelamordeDeus! Tô errado eu ou tá o mundo?
Estamos falando de uma BONECA!
E se duvida, tá aqui.
É o fim.